A ONU condenou a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, considerada uma violação grave do direito internacional e uma ameaça à segurança global. Segundo o Escritório de Direitos Humanos da ONU, o ataque fere o princípio que proíbe o uso da força contra a integridade territorial e a independência política de outro Estado, além de passar a mensagem de que países poderosos podem agir à margem das normas internacionais.
A operação, chamada “Absolute Resolve”, ocorreu em 3 de janeiro e envolveu mais de 150 aeronaves dos EUA bombardeando instalações militares em Caracas durante a madrugada. Na sequência, forças especiais capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. As autoridades venezuelanas informaram que ao menos 80 pessoas morreram, incluindo civis.
O Conselho de Segurança da ONU realizou uma reunião de emergência, na qual países como Brasil, México e Cuba, além da própria Venezuela, condenaram a operação como violação da Carta da ONU e perigoso precedente para a comunidade internacional. O secretário-geral António Guterres afirmou estar profundamente preocupado com a falta de respeito às regras do direito internacional, enquanto alguns aliados dos EUA na Europa emitiram críticas moderadas ou pediram transição democrática sem condenar diretamente Washington.
Os Estados Unidos, por sua vez, defenderam a legalidade e a legitimidade da operação. Washington baseou sua justificativa em uma acusação de 2020 por narcoterrorismo contra Maduro, argumentando tratar-se da execução de um mandado de prisão contra um suposto traficante. Maduro e Cilia Flores foram levados a Nova York para responder às acusações, enquanto a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu como presidente interina na Venezuela.